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Deixe ela entrar

Texto de Lucas Scaliza

A vampira Eli e o frágil humano Oskar: uma relação de ternura e assombro
A vampira Eli e o frágil humano Oskar: uma relação de ternura e assombro

 

O filme sueco Deixe Ela Entrar (Lat den Rätte Komma In, no original) está arrasando em festivais mundo a fora. Segundo o IMDB, a produção já ganhou 56 prêmios e foi nomeada para outras 11 categorias.

Mesmo sendo um filme de baixo orçamento, feito em um país do norte da Europa de onde poucas produções ganham fama mundial, Deixe ela Entrar conquista pela sensibilidade. Mesmo sendo um filme de vampiros, tema muito em voga atualmente, é na sensibilidade humana que o diretor Tomas Alfredson se concentra, dando soluções estéticas simples ao roteiro, mas conduzindo a narrativa sem apelar para clichês, nem sustos fáceis.

Na história, Oskar é um frágil menino de 12 anos constantemente atormentado por colegas da escola. Ele é incapaz de revidar às provocações, embora treine cotra-ataques e respostas em seu quarto. Um dia, Oskar conhece sua nova e estranha vizinha, Eli, uma menina que também tem 12 anos. Logo ficamos sabendo que ela é a vampira da história. Daí pra frente, Oskar vai deixá-la entrar em sua vida sem ficar assombrado pelo ser sobrenatural que ela é. E, da mesma forma, Eli aprenderá com Oskar que por trás de toda a sua sobrehumanidade está uma garota que pode amar, pode se importar ao mesmo tempo em que é, por natureza, uma assissna fria.

A crítica que fiz do filme, enfatizando mais aspectos artísticos e traçando comparações com outros filmes e diretores, pode ser vista aqui, na resenha publicada pela Revista Projeções, ou pode ser lida baixo.

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Ternura com assombro

 

Percebe-se, logo que começa a ser executado, que Deixe Ela Entrar (Låt den Rätte Komma In, no original) é um filme que aposta na – ou precisou prezar pela – economia. Não há grandes efeitos especiais, nem figurinos caros, locações famosas e até mesmo os créditos iniciais são sóbrios, limitando-se a exibir nomes em letras brancas sobre um fundo negro. É um pequeno filme sueco sobre vampiros, um tema da moda, feito com baixo orçamento, mas que não deixa a limitação financeira estragar seu brilho artístico e narrativo.

Na trama, o frágil Oskar (Kåre Hedebrant) é um garoto de 12 anos que sofre bullying de colegas de escola. Ele treina sozinho em casa, como quem fantasia uma cena, contra-ataques e respostas a seus algozes, mas nunca tem coragem para reagir. Paralelamente, a pequena cidade em que vive está preocupada com repentinos sumiços e mortes misteriosas na neve. Não demora muito para que ele conheça Eli (Lina Leandersson), garota que há muito tempo também tem 12 anos e acabara de se mudar para o apartamento ao lado do seu.

A partir daí, uma amizade e uma singela história de amor se inicia permeada de paradoxos: Oskar é frágil, Eli é uma vampira, com todas as habilidades que um ser desses possui; ele não revida, enquanto ela é capaz de matar sem demonstrar qualquer pesar; mas Oskar tem o coração aberto e Eli vai aprender a deixar que alguém invada o seu.

A direção de Tomas Alfredson não aposta em sustos fáceis e nem põe sua vampira para mostrar os caninos até o limite da banalização do ato, como já se cansou de ver em produções do gênero. Sempre acompanhada ou antecipada pela trilha sonora, Alfredson constrói cenas de suspense na mesma medida em que a ternura toma conta da tela.

Deixe Ela Entrar não é um desbunde visual. Não tem as cores de um Almodóvar, nem os enquadramentos espertos de um Wes Anderson e muito menos a produção de um blockbuster. Em compensação, usa muito bem os closes e os movimentos de câmera para criarem significados e darem intensidade ao texto. Chama à atenção as cenas em que Eli faz uma vítima e a câmera “corre” para focalizá-la bem de perto e nos fazer notar cada gota de sangue em seu rosto.

Nenhum dos atores no filme tem uma performance digna de nota. Embora os jovens que interpretem Oskar e Eli funcionem muito bem juntos, há uma economia de interpretação que poderia deixar a relação de seus personagens mais fria que a abundante neve da Suécia. Felizmente, o roteiro e a condução narrativa minimizam essa lacuna cênica.

O filme sueco acerta com simplicidade onde Crepúsculo patina. A franquia que teve origem nos livros de Stephenie Meyer teme ir longe demais e ameniza todas as atitudes de um vampiro, mesmo dos “malvados”. Deixe Ela Entrar já sai na frente por não tocar na moralidade de Eli. Se ela é boa ou má, não importa. O que interessa é que tipo de aproximação ela terá de Oskar e de outros humanos, cedendo ou não a sua natureza que se alimenta de sangue.

Crepúsculo também não consegue mostrar na tela a sexualidade juvenil de seus personagens com maturidade, fazendo a relação “morder e se tornar uma vampira” com a “perda da inocência” soar oca. Alfredson também conta uma história que possui esse teor, essa metáfora para a adolescência, mas está menos preocupado com a relação física e mais com o despertar do amor.

Sensibilidade é a palavra que define e diferencia Deixe Ela Entrar de outros “filmes de vampiro” recentes. Não há momentos de redenção e nem cenas de ação frenética. Tudo está em seu devido lugar e acontece em seu devido tempo, sem exageros. E, por mais complicado que possa parecer explicar, é com sensibilidade que a brutal cena final se desenha, causando não espanto no espectador, mas algum êxtase que esperávamos sentir desde o começo.

 

Deixe ela entrar 2

Trailer do filme.

Anticristo – psicanálise e sobrenatural

Texto de Lucas Scaliza (lucas.scaliza@gmail.com)

Enquanto o casal faz sexo, o filho morre na sala ao lado
Enquanto o casal faz sexo, o filho morre na sala ao lado

Estreou ontem o novo filme do diretor dinamarquês Lars von Trier (mesmo diretor de Dogville e Manderlay) no Brasil. Anticristo (Antichrist, 2009), conta a história de um casal que perde o filho e passa a ter problemas. Na tentativa de enfrentrar os medos, inseguranças e a própria condição humana, o casal se refugia numa cabana em uma floresta chamada Éden.

O filme é todo dividido em capítulos e conforme eles avançam a relação do casal vai mudando, vai ficando mais sombria e mais dolorida. Embora o filme seja vendido como um terror, de terror mesmo há bem pouco. Não há sustos, nem bichos feios. Satã não dá as caras e a porção sobrenatural da história fica a critério de cada um decidir se existiu realmente ou foi tudo obra da mente do marido e sua mulher. Entretanto, há um clima de suspense e de que algo muito forte está acontecendo quase que durante o filme todo. A trilha sonora ajuda a pontuar esses momentos.

Psicanálise e sobrenatural se misturam neste filme de Lars von Trier, diretor de Dogville
Psicanálise e sobrenatural se misturam neste filme de Lars von Trier, diretor de Dogville

Algumas cenas são bem fortes. Há sexo explicíto, nudez, tortura com muito sangue entre outras atitudes bastante perversas de nossos protagonistas, Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg. Há uma vontade ali de chocar o espectador, de causar desconforto. Se você não gosta de sentir aflição, não assista.

Não é o melhor trabalho de Lars von Trier, como ele próprio disse que talvez fosse. Enfim, é um drama sobre relacionamento. Uma análise minha mais detalhada sobre o filme será publicada amanhã na Revista Projeções. Confiram.

Onde vivem os monstros

Texto de Lucas Scaliza (lucas.scaliza@gmail.com)

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Foi lançado o trailer de Where The Wild Things Are (que no Brasil ganhou o nome de Onde Vivem os Monstros), novo filme do diretor Spike Jonze. A produção é baseada no belo livro infantil homônimo de Maurice Sendak. Confira abaixo a prévia, uma das mais belas e instigantes do ano até agora.

A história, como o trailer deixa claro, acompanha as aventuras e “ilusões” de Max. Após uma desobediência, Max é mandado para cama sem jantar. Então ele cria seu próprio mundo: uma floresta habitada por monstros que reconhecem o garoto como seu rei.

A história é agridoce. Cenas cômicas e felizes se misturam a outras tristes, trágicas, feitas para nos levar a uma reflexão. O livro foi publicado em 1963 e foi alvo de algumas controvérsias. Seus personagens eram um pouco grotescos, bem diferentes dos da Disney, por exemplo, e mostrava uma aproximação aos pesadelos e fantasias das crianças.

Spike Jonze é diretor de Adaptação e Quero Ser John Malkovich. O filme estreia no Brasil em 16 de outubro.

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Fantastic Mr. Fox: o trailer

Texto de Lucas Scaliza

Foi lançado o trailer do novo filme de Wes Anderson, Fantastic Mr. Fox, que virou Rapozas e Fazendeiros no Brasil. É a primeira vez que o diretor se aventura pelo terreno da animação stop-motion (mesma técnica de Coraline).

Na história, Mr. Fox rouba os animais e os produtos de três fazendeiros: Boque, criador de galinhas, Bunco, criador de patos e gansos, e Bino, que cria perus e planta maçãs. Cansados das investidas do Sr. Raposo, os fazendeiros resolvem se vingar.

No trailer, vários nomes de atores conhecidos aparecem, como George Clooney e Meryl Streep. Outros colaboradores de Anderson também estão lá: Owen Wilson, Jason Schwartzman e Bill Murray. Não sei como o nome de Angelica Houston não apareceu, antiga colaboradora do cineasta.

Wes Anderson dirigiu Viagem a Darjeeling, Os Excêntricos Tenenbaums, e A Vida Marinha com Steve Zissou. O filme estréia nos EUA em 13 de novembro e em 14 de dezembro nos Brasil.