A Rede Social – em busca de aprovação

Muito mais do que um filme sobre o Facebook, o site de relacionamentos mais popular do mundo, A Rede Social mostra a busca do bilionário Mark Zuckerberg por aprovação

Jesse Eisenberg vive o solitário Mark Zuckerberg, criador do Facebook. O negócio ascende, mas suas relações pessoais naufragam

A cena que abre A Rede Social (The Social Network, 2010) mostra o jovem Mark Zuckerberg, o criador do Facebook, sentado numa mesa de lanchonete com sua namorada Erica Albright. Mark, então estudante em Harvard, acaba sendo arrogante com a garota e o namoro termina. Como ela deixa bem claro, a relação não terminou por ele ser nerd, mas por ser um babaca.

A cena que fecha A Rede Social mostra um ainda jovem Mark Zuckerberg, dois anos depois, sentado na mesa de um escritório de advocacia. Uma audiência acaba de ocorrer entre ele e o advogado do Facebook contra um de seus desafetos. A estagiária que acompanha o caso (SPOILER) lhe diz: “Você não é um babaca, Mark. Apenas se esforça muito para ser”. E então ele entra em seu perfil do Facebook e adiciona Erica, sua ex-namorada, como amiga. Até os créditos finais, ele clica F5 sistematicamente, esperando para ver a aprovação de amizade da menina.

Revelar a elipse que se estabelece entra a cena inicial e final do filme não vai arruinar toda a sua experiência do filme. Há muito mais para ser visto, pode ter certeza. Mas é importante evidenciar como a história desse jovem bilionário foi contada pelo roteirista Aaron Sorkin (baseado no livro The Accidental Billionaires, de Ben Mezrich), fazendo jus à frase de divulgação no cartaz do filme: “você não chega a 500 milhões de amigos sem fazer alguns inimigos”.

Logo após romper com sua namorada, Mark (interpretado por Jesse Eisenberg) fica bêbado na frente do computador, bloga insultos contra a ex e arma uma espécie de jogo social aberto aos estudantes de Harvard, usando seu vasto conhecimento em programação. Com a notoriedade lhe batendo a porta, logo é contratado pelos gêmeos Winklevoss e Divya Narendra, que esperam que ele programe a rede social Harvard Connection. Mark Zuckerberg enrola os três por mais de um mês e quando finalmente resolve abandonar o projeto, já tem pronto o protótipo do The Facebook. Ele acaba de ganhar três inimigos. Para ajudá-lo em seu projeto pessoal, chama o brasileiro Eduardo Saverin (interpretado por Andrew Garfield), uma espécie de consciência em fazer negócios mais alerta e precavido do que Zuckerberg. Quando Sean Parker (Justin Timberlake), o criador do Napster, entra para o Facebook depois de deslumbrar Zuckerberg com a trinca dinheiro-sexo-glamour da Califórnia, a relação entre ele e Eduardo começa a se desgastar até chegar ao limite: os tribunais.

A história de criação do Facebook é contada de forma linear. Entrecortando todo o filme, de forma não linear, estão as diversas cenas de audiência. Mark contra os Winklevoss e Mark contra Eduardo. Muito mais do que um filme sobre o site de relacionamentos mais popular do mundo, é um filme sobre as pessoas que fizeram parte dele e sobre alguns dos notáveis incidentes que são parte de seus bastidores.

Deslumbrado com o mundo de possibilidades do Vale do Silício, Zuckerberg vai a reuniões de negócio de pijama

A direção do longa é de David Fincher (Zodíaco, O Curioso Caso de Benjamin Button), mas há pouca inventividade ou virtuosismo na forma de contar a história e operar a câmera de A Rede Social. O único momento em que podemos sentir que a mão do diretor esteve mais livre é na curta cena da competição de remos na Inglaterra. De resto, é Fincher sendo muito eficiente, mas optando por formas menos desafiadoras do que as usadas em Clube da Luta e Seven, por exemplo. Harvard parece mais sombria do que em outros filmes e boa parte dos ambientes tem pouca luz.

Conforme o Facebook cresce em popularidade e se alastra pelo mundo, a imagem que o filme faz de Zuckerberg só piora. De programador nerd de Harvard (chamado até de “o novo Bill Gates”), vai descendo no nosso conceito como ser humano até se tornar aquele babaca de que falavam a ex-namorada e a estagiária de direito. Nesse caso, identificar-se com o mais jovem bilionário do mundo vira uma tarefa difícil. Muito mais fácil é tomarmos as dores de Eduardo Saverin, retratado como um rapaz de negócios muito mais cauteloso (embora menos arrojado do que Sean Parker) que acaba traído. Também pesa o fato de que Andrew Garfields rouba praticamente todas as cenas em que aparece ao lado de Jesse Eisenberg, interpretando um Mark com cara de bobo e sempre apagado.

A Rede Social é um filme sobre ambição, as ciladas e o mundo dos negócios encontrados por Zuckerberg, sobre os atores de um sucesso na internet e sobre um site que pretende formar uma comunidade mesmo que seu criador seja um solitário de diálogos diretos e de pouca expressividade que busca a aprovação de alguém. Ele não é aprovado pela namorada, não é aprovado pelo melhor amigo Eduardo e nem pela estagiária. Existem 500 milhões de perfis no Facebook e Mark destruiu sua relação com a meia dúzia que importava.

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2 comentários em “A Rede Social – em busca de aprovação”

  1. O Mark “com cara de bobo e sempre apagado” que aparece no filme consegue parece mais interessante que o Mark da vida real, que tem cara de nerd retardado.

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