Belos posters para Black Swan

Cisne Negro (Black Swan), novo filme do diretor Darren Aronofsky – que também dirigiu Fonte da Vida e O Lutador -, ganhou um novo pôster com a atriz Natalie Portman vestida com uma roupa negra de bailarina em meio a pétalas escuras. É o mais belo cartaz da produção até agora, que tem divulgado o filme com seis cartazes muito diferentes entre si nos traços, mantendo apenas as cores branco, vermelho e preto e um clima bastante impressionista em todas as imagens.

Cisne Negro aborda as relações de manipulação e competição que se estabelece entre as bailarina Nina (Portaman) e Lilly (Mila Kunis), mas Nina não sabe se sua rival é real, uma existência sobrenatural ou apenas invenção da sua imaginação. Completam o elenco Wynona Rider, Barbara Hercher e Vincent Cassel. O filme estreia nos Estados Unidos dia 3 de dezembro. No Brasil, apenas dia 4 de fevereiro de 2011. Até lá, fique com os belos cartazes do longa.

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A Rede Social – em busca de aprovação

Muito mais do que um filme sobre o Facebook, o site de relacionamentos mais popular do mundo, A Rede Social mostra a busca do bilionário Mark Zuckerberg por aprovação

Jesse Eisenberg vive o solitário Mark Zuckerberg, criador do Facebook. O negócio ascende, mas suas relações pessoais naufragam

A cena que abre A Rede Social (The Social Network, 2010) mostra o jovem Mark Zuckerberg, o criador do Facebook, sentado numa mesa de lanchonete com sua namorada Erica Albright. Mark, então estudante em Harvard, acaba sendo arrogante com a garota e o namoro termina. Como ela deixa bem claro, a relação não terminou por ele ser nerd, mas por ser um babaca.

A cena que fecha A Rede Social mostra um ainda jovem Mark Zuckerberg, dois anos depois, sentado na mesa de um escritório de advocacia. Uma audiência acaba de ocorrer entre ele e o advogado do Facebook contra um de seus desafetos. A estagiária que acompanha o caso (SPOILER) lhe diz: “Você não é um babaca, Mark. Apenas se esforça muito para ser”. E então ele entra em seu perfil do Facebook e adiciona Erica, sua ex-namorada, como amiga. Até os créditos finais, ele clica F5 sistematicamente, esperando para ver a aprovação de amizade da menina.

Revelar a elipse que se estabelece entra a cena inicial e final do filme não vai arruinar toda a sua experiência do filme. Há muito mais para ser visto, pode ter certeza. Mas é importante evidenciar como a história desse jovem bilionário foi contada pelo roteirista Aaron Sorkin (baseado no livro The Accidental Billionaires, de Ben Mezrich), fazendo jus à frase de divulgação no cartaz do filme: “você não chega a 500 milhões de amigos sem fazer alguns inimigos”.

Logo após romper com sua namorada, Mark (interpretado por Jesse Eisenberg) fica bêbado na frente do computador, bloga insultos contra a ex e arma uma espécie de jogo social aberto aos estudantes de Harvard, usando seu vasto conhecimento em programação. Com a notoriedade lhe batendo a porta, logo é contratado pelos gêmeos Winklevoss e Divya Narendra, que esperam que ele programe a rede social Harvard Connection. Mark Zuckerberg enrola os três por mais de um mês e quando finalmente resolve abandonar o projeto, já tem pronto o protótipo do The Facebook. Ele acaba de ganhar três inimigos. Para ajudá-lo em seu projeto pessoal, chama o brasileiro Eduardo Saverin (interpretado por Andrew Garfield), uma espécie de consciência em fazer negócios mais alerta e precavido do que Zuckerberg. Quando Sean Parker (Justin Timberlake), o criador do Napster, entra para o Facebook depois de deslumbrar Zuckerberg com a trinca dinheiro-sexo-glamour da Califórnia, a relação entre ele e Eduardo começa a se desgastar até chegar ao limite: os tribunais.

A história de criação do Facebook é contada de forma linear. Entrecortando todo o filme, de forma não linear, estão as diversas cenas de audiência. Mark contra os Winklevoss e Mark contra Eduardo. Muito mais do que um filme sobre o site de relacionamentos mais popular do mundo, é um filme sobre as pessoas que fizeram parte dele e sobre alguns dos notáveis incidentes que são parte de seus bastidores.

Deslumbrado com o mundo de possibilidades do Vale do Silício, Zuckerberg vai a reuniões de negócio de pijama

A direção do longa é de David Fincher (Zodíaco, O Curioso Caso de Benjamin Button), mas há pouca inventividade ou virtuosismo na forma de contar a história e operar a câmera de A Rede Social. O único momento em que podemos sentir que a mão do diretor esteve mais livre é na curta cena da competição de remos na Inglaterra. De resto, é Fincher sendo muito eficiente, mas optando por formas menos desafiadoras do que as usadas em Clube da Luta e Seven, por exemplo. Harvard parece mais sombria do que em outros filmes e boa parte dos ambientes tem pouca luz.

Conforme o Facebook cresce em popularidade e se alastra pelo mundo, a imagem que o filme faz de Zuckerberg só piora. De programador nerd de Harvard (chamado até de “o novo Bill Gates”), vai descendo no nosso conceito como ser humano até se tornar aquele babaca de que falavam a ex-namorada e a estagiária de direito. Nesse caso, identificar-se com o mais jovem bilionário do mundo vira uma tarefa difícil. Muito mais fácil é tomarmos as dores de Eduardo Saverin, retratado como um rapaz de negócios muito mais cauteloso (embora menos arrojado do que Sean Parker) que acaba traído. Também pesa o fato de que Andrew Garfields rouba praticamente todas as cenas em que aparece ao lado de Jesse Eisenberg, interpretando um Mark com cara de bobo e sempre apagado.

A Rede Social é um filme sobre ambição, as ciladas e o mundo dos negócios encontrados por Zuckerberg, sobre os atores de um sucesso na internet e sobre um site que pretende formar uma comunidade mesmo que seu criador seja um solitário de diálogos diretos e de pouca expressividade que busca a aprovação de alguém. Ele não é aprovado pela namorada, não é aprovado pelo melhor amigo Eduardo e nem pela estagiária. Existem 500 milhões de perfis no Facebook e Mark destruiu sua relação com a meia dúzia que importava.

Cópia Fiel

Filme de Abbas Kiarostami é um sopro de honestidade que dispensa a “moral da história”. Quando você menos espera, está andando junto com os protagonistas pelas vielas de Lucignano

"Cópia Fiel" (falado em italiano, francês e inglês) é o primeiro filme que o Iraniano Abbas Kiarostami roda fora de seu país.

Não tenho a pretensão de escrever melhor sobre Cópia Fiel (Copie Conforme, 2010) do que Marcelo Hessel (@marcelohessel) já fez, mas é importante dizer que o filme te pega de surpresa. Quando você menos espera, está totalmente imerso em sua história, andando pelas ruas de Lucignano, na Itália, com os mesmos pensamentos que a dupla de protagonistas. A produção, dirigida pelo iraniano Abbas Kiarostami (que também dirigiu Gosto de Cereja e Dez), foi uma das boas atrações da 34ª Mostra de Cinema de São Paulo.

Na história, o inglês James Miller (interpretado por William Shimell) vai até a Itália para divulgar seu livro que versa sobre as cópias na arte e a relativização de seu valor (relativização que, aliás, chega aos extremos: seria o sorriso de Mona Lisa verdadeiro? Ou teria Da Vinci pedido que Gioconda o fizesse?). Logo após sua palestra, conhece Elle, vivida com notável entrega por Juliette Binoche, uma francesa dona de uma galeria italiana há muitos anos.

A princípio, o escritor precisa apenas passar um tempo na cidade antes de voar de volta para a Inglaterra. Elle acaba virando uma espécie de distração e guia turística para James, com suas conversas informais sobre a arte, sobre o conceito de cópia e autenticidade e de como tudo isso tem a ver com a vida cotidiana das pessoas. A vida pessoal de Elle e seus problemas em ser, aparentemente, uma mãe solteira com um filho pré-adolescente vão sendo aos poucos incorporados à conversa dos dois. Ela trata das questões com paixão desesperada por respostas, ele às trata com certo distanciamento, como se procurasse o máximo do discernimento.

William Shimell interpreta James Miller e Juliette Binoche vive Elle. São dois estranhos ou marido e mulher?

O filme todo gira em torno das andanças e conversas de Elle e James por Lucignano a medida que uma relação vai sendo construída. É o mesmo processo já visto em Antes do Amanhecer e Antes do Pôr do Sol, mas os personagens ora retratados são mais maduros, na casa dos 40-45 anos. Então decidem tomar um café e a situação sofre uma virada interessantíssima. De dois quase estranhos, a francesa e o escritor tornam-se marido e mulher. A partir daí, o filme torna-se uma dilacerante discussão de casal e o relacionamento entre os dois começa a ser desconstruído. Ao que parece, cabe a cada um acreditar se o casal realmente já se conhecia desde o começo ou se apenas estão interpretando um papel proposto pela mulher que lhes serviu café na lanchonete.

Usando três línguas diferentes – francês, italiano e inglês – às vezes todas juntas num mesmo diálogo, Kiarostami vai tecendo uma história de casal em crise sem pressa, apresentando tanto os argumentos dela quanto os dela e os fazendo colidir, sem tomar partido por nenhum dos lados. Afinal, a vida é complexa. Como resultado, Kiarostami nos presenteia com uma discussão madura e honesta sobre os relacionamentos. Ele não deixa de nos mostrar o que seria uma atitude ideal, (como na cena em que um senhor diz a James que sua mulher talvez só queira que ele ande ao lado dela e apoie sua mão no ombro dela para mostrar sua presença). Mas nunca submete a complexidade psicológica do casal protagonista a saídas “corretas”, fazendo com que ambos tornem-se personagens ainda mais críveis.

Cópia Fiel é uma produção de baixo orçamento que não aposta na edição rápida de imagens e nem no apelo ao falso mundo eternamente jovem das platéias norte-americanas. Quando começa, parece um tanto técnico demais, com uma palestra sobre originalidade e cópia. Conforme avança, vai revelando a que realmente veio e termina extremamente emocional. Diferente da grande maioria das comédias românticas produzidas aos montes em Hollywood, sempre tentando nos fazer engolir alguma “moral da história” que já vem prontinha, Cópia Fiel deixa em aberto a conclusão da história e não propõe acordo entre as partes. Aceita a complexidade da vida e dos relacionamentos, aceita que nem sempre uma conclusão bem acabada pode ser dada. E é tão honesto em cada close que dá em Juliette Binoche e William Shimell que quase podemos ver a nós mesmo sendo estudados diante do espelho.

 

Scott Pilgrim e a doçura nerd

Michael Cera faz o jovem ingênuo, nerd e meio perdido no mundo tão bem que pode vir a se tornar, num futuro não muito distante, um dos melhores exemplos cinematográficos do jovem adulto do século 21

Scott Pilgrim vs The World não foi nada bem nas bilheterias norte-americanas e repetiu o fracasso em outras partes do mundo. Não entendi a falta de interesse do público, mas também ainda não tinha visto o filme. Depois de assisti-lo essa semana, não sei mesmo o que foi que aconteceu. Digo com certeza que a falta de interesse não foi motivada pelo filme, que cumpre o que promete e o resultado é pra lá de satisfatório.

No início, a história de Scott Pilgrim (interpretado por Michael Cera) é como a de qualquer outro jovem: rapaz de 22 anos que vive em Toronto, baixista de uma banda em início de carreira, não muito seguro de si mesmo e arranjou uma estudante colegial para suprir o vazio emocional deixado pela ex-namorada (que tornara-se a vocalista de uma banda famosa). Então ele conhece literalmente (literalmente mesmo) a garota de seus sonhos: Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead).

Então a coisa fica insólita. Se quiser namorar Ramona, Scott terá que derrotar seus sete ex-namorados malignos, gente que não teve um bom desfecho de relacionamento com a garota. Acontece que a medida que os confrontos vão ocorrendo, Scott vai se dando conta do quanto é difícil manter esse (ou qualquer outro) relacionamento afetivo. Além disso, sua namorada colegial continua a espreita, acompanhando seus passos, mas Scott não quer quebrar o coração dela.

Os sete ex-namorados malignos de Ramona

O filme á uma adaptação da história e quadrinhos de mesmo nome escrita e desenhada pelo canadense Brian Lee O’Malley. Quando O’Malley começou a publicar Scott Pilgrim, não era nada mais que mais um quadrinista de pouca expressão tentando ganhar a vida. Quando ele levava seus trabalhos a San Diego Comic-Com, praticamente passava desapercebido. Mas Scott Pilgrim, que só terminou de ser publicado no hemisfério norte este ano, acabou virando um peça cultuada e as filas para se conseguir um autógrafo de O’Malley na Comic-Com foram imensas. O autor, como seu personagem, realmente dá a volta por cima.

O filme foi dirigido por Edgar Wright, que já havia feito um bom trabalho na paródia zumbi Shaun Of The Dead. Ele se mostrou um diretor não só versátil, pois Scott Pilgrim vs The World é diferente em todos os aspectos de sua outra produção, mas também apaixonado e fiel a HQ que originou o filme. Desde os primeiros frames até os créditos finais da obra, as principais referências de O’Malley foram preservadas. São piadas nerds com videogames, outras HQs, filmes, seriados e até com a cidade de Toronto (“Eu não sabia que eles rodavam filmes aqui”, diz Scott), sem se esquecer de preservar todos os elementos jovens e agridoces que uma história desse tipo pede.

Michael Cera é Scott Pilgrim e Mary Elizabeth Winstead é Ramona Flowers

Os atores encarnam muito bem seus papéis, com destaque óbvio para o casal Scott Pilgrim e Ramona. Michael Cera faz o jovem ingênuo, nerd e meio perdido no mundo tão bem que pode vir a se tornar, num futuro não muito distante, um dos melhores exemplos cinematográficos do jovem adulto do século 21. Sua doçura natural e seus desejos mesclam-se perfeitamente com suas frustrações, fazendo a história transcorrer bem levemente. Ramona é aquela garota que está tão perdida quanto qualquer outro garoto ao seu redor, mas faz pose de mulher segura, decidida e difícil. Seus olhares e sua interpretação corporal são seus principais charmes o filme, e o diretor os evidencia sempre que pode.

Entretanto, é o visual de Scott Pilgrim que o faz valer a pena realmente. Se A Origem (Inception) é o filme mais engenhoso do ano, Scott Pilgrim é o mais estiloso. A todo momento grandes onomatopéias para socos, chutes, pancadas e toques de telefone invadem a tela de maneira tão natural quanto se estivéssemos lendo um gibi. As lutas contra os sete ex-namorados malignos também impressionam, sempre criando arroubos visuais de tirar o fôlego. Dada a quantidade de “objetos” que são atirados na direção da tela – sejam apenas onomatopéias, notas musicais ou dragões holográficos –, me peguei pensando em como seria a experiência de assistir ao filme numa projeção 3D bem feita.

O visual estiloso do filme é um de seus maiores trunfos

Edgar Wright se preocupou muito com o ritmo de Scott Pilgrim. Ele é veloz, primeiro porque a juventude que deve (ou deveria) compor a audiência do filme tem pensamentos igualmente rápidos, e segundo porque adaptar e condensar seis edições de uma HQ em 112 minutos não é tarefa fácil. Sendo assim, não há grandes planos sequência nem imagens que duram muito tempo em tela. Como muita música é tocada durante o filme todo – desde Sex Bob-Omb (a banda de Scott) até Rolling Stones e T. Rex – a edição de cenas o ritmo e os compassos das canções.

Talvez apenas o final do filme não seja tão criativo quanto o resto da história apresentada, mas não é nada que vá estragar a experiência do filme. Há diversão e inteligência em Scott Pilgrim vs The World. Há doçura nerd e esmero estético invejáveis. E o principal: Scott Pilgrim (tanto o personagem quanto o filme) comunicam-se muito bem com o público que pretendem atingir. Portanto, ainda não consigo entender quais foram os motivos que tornaram a obra um fracasso de bilheteria. Vai ver, faltou o público dar uma chance ao jovem peregrino canadense.