Anticristo – psicanálise e sobrenatural

Texto de Lucas Scaliza (lucas.scaliza@gmail.com)

Enquanto o casal faz sexo, o filho morre na sala ao lado
Enquanto o casal faz sexo, o filho morre na sala ao lado

Estreou ontem o novo filme do diretor dinamarquês Lars von Trier (mesmo diretor de Dogville e Manderlay) no Brasil. Anticristo (Antichrist, 2009), conta a história de um casal que perde o filho e passa a ter problemas. Na tentativa de enfrentrar os medos, inseguranças e a própria condição humana, o casal se refugia numa cabana em uma floresta chamada Éden.

O filme é todo dividido em capítulos e conforme eles avançam a relação do casal vai mudando, vai ficando mais sombria e mais dolorida. Embora o filme seja vendido como um terror, de terror mesmo há bem pouco. Não há sustos, nem bichos feios. Satã não dá as caras e a porção sobrenatural da história fica a critério de cada um decidir se existiu realmente ou foi tudo obra da mente do marido e sua mulher. Entretanto, há um clima de suspense e de que algo muito forte está acontecendo quase que durante o filme todo. A trilha sonora ajuda a pontuar esses momentos.

Psicanálise e sobrenatural se misturam neste filme de Lars von Trier, diretor de Dogville
Psicanálise e sobrenatural se misturam neste filme de Lars von Trier, diretor de Dogville

Algumas cenas são bem fortes. Há sexo explicíto, nudez, tortura com muito sangue entre outras atitudes bastante perversas de nossos protagonistas, Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg. Há uma vontade ali de chocar o espectador, de causar desconforto. Se você não gosta de sentir aflição, não assista.

Não é o melhor trabalho de Lars von Trier, como ele próprio disse que talvez fosse. Enfim, é um drama sobre relacionamento. Uma análise minha mais detalhada sobre o filme será publicada amanhã na Revista Projeções. Confiram.

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Scarlett também canta

Capa do primeiro álbum de Scarlett Johansson. Foto de David Sitek
Capa do primeiro álbum de Scarlett Johansson. Foto de David Sitek

Texto de Lucas Scaliza (lucas.scaliza@gmail.com)

Logo, logo a atriz Scarlett Johansson lançará um álbum musical ao lado do músico Pete Yorn. Até um video clipe da dupla já foi liberado na internet. No entanto essa não será a primeira vez de Scarlett como cantora. Em 2008 a moça gravou Anywhere I Lay My Head interpretando 10 canções de Tom Waits e uma inédita que não é de autoria dele.

Hesitei muito em ouvir o álbum de Scarlett, já imaginando a bomba que vinha pela frente. Seriam músicas pop teen melosas? Será que ela acabaria com Tom Waits? Aliás, ela canta bem? Logo de cara o disco mostra que não veio brincando e não demorou muito até eu perceber que ali havia alguém que sabia o que estava fazendo.

Ela não tenta mostrar potência vocal, nem inventa firulas. Faz o básico e acerta, não se expõe em momento algum ao constrangedor. A banda que a acompanha é excelente e recriou todo o clima das músicas de Waits com esmero, apostando em climas viajantes. Scarlett e seu produtor David Sitek, da banda TV On The Radio, não regravaram tudo exatamente como eram os registros originais. Eles incorporaram novos elementos com propriedade e conseguiram fazer o álbum soar coeso.

O disco também conta com a participação de Nick Zinner, guitarrista da banda Yeah Yeah Yeahs e o guitarrista da Celebration, Sean Antanaitis. O cantor britânico David Bowie, 61, empresta sua voz a duas faixas do disco, “Falling Down” e “Fannin Street”. Você pode ouvir a íntegra do álbum aqui ou aqui.

Scarlett manteve um clima onírico em todo o álbum. Ainda este ano sai o disco em parceria com Pete Yorn
Scarlett manteve um clima onírico em todo o álbum. Ainda este ano sai o disco em parceria com Pete Yorn

Resenha faixa a faixa

Fawn – uma linda abertura que deve ter deixado o próprio Tom Waits feliz. Não teve medo de arriscar combinações agudas.

Town With No Cheer – No comeo quase não parece a Scarlett, clima soturno, onírico. Teclados, sintetizadores presentes.

Falling Down – É como se ela cantasse na segurança de uma redoma de vidro enquanto em volta um tornado rodopiasse. Destaque para a guitarra e o jogo dos vocais dobrados cantando o refrão.

Anywhere I Lay My Head – Reinventa sem medo. Imprime força e faz sua voz, que não é adocicada, ganhar força e destaque.

Fannin Street – Lenta, a percussão dá o tom. Belos arranjos vocais. Nada de pressa aqui, e ela acerta novamente.

Song For Jo – A música inédita do álbum. Não decepciona também e mantém-se, estilisticamente falando, em sintonia com o resto do disco.

Green Grass – Voz grave, não tenta subverter a canção, mas também não deixa de deixar impressa sua marca pessoal. Tudo em seu devido lugar e com bom gosto.

I Wish I Was In New Orleans – Quase uma canção de ninar. É o mais doce que ela chegou neste álbum.

I Don’t Wanna Grow Up – Dançante do começo ao fim. Podia cair na mãe de algum DJ e virar um hit em pistas de dança. Bem animada.

No One Knows I’m Gone – O que acontece quando você mistura os climas de Pink Floyd com Beirut e um vocal feminino que não tenta soar nem diva do soul, nem ídolo teen? Você tem uma bela canção.

Who Are You – Belo dueto e serve como síntese do álbum. Scarlett não tenta fazer mais do que sua voz permite, não cai em impressionismo tolos.

Um senhor esquecido

Texto e fotos de Lucas Scaliza (lucas.scaliza@gmail.com)

Este senhor está morando em um barracão cheio de pneus e pombos
Este senhor está morando em um barracão cheio de pneus e pombos

Ontem fui dar uma olhada em um barracão abandonado na cidade de Igaraçu do Tietê. O barracão estava com o telhado todo esburacado, sem energia elétrica ou abastecimento de água. Havia entradas, mas não portas que pudessem ser fechadas, ou seja, qualquer um poderia entrar ali, incluindo animais.

O lugar, como já haviam denunciado na cidade, estava cheio de pneus velhos que borracharias da cidade e outros “departamentos” despejavam ali. Quando cheguei, uma multidão de pombos se aprumavam entre as armações de ferro no teto.

Estava fotografando o lugar e de repente, quando olho para o lado, vejo um senhor negro, aparentando ter entre 55 e 65 anos de idade, para ao meu lado com uma blusa azul do Patolino e segurando um pé de couve. Não sei o nome dele, mas ele me disse que mora nesse barracão há algum tempo. Embora tenha cara e jeito de brasileiro, e fale português, disse que está em Igaraçu há muito tempo e que “gostaria de voltar para meu país”. Conversei mais um pouco com ele, disse que veio de Minas Gerais e que “esta terra em que estamos é boa para plantar feijão”, mas não dizia coisa com coisa, as informações (e o sentido delas) se perdiam facilmente.

O senhor passou por uma pilha de pneus e õ segui com os olhos. Só então notei sua cama, um recepiente para marmita e talheres com ele. Ele realmente mora ali. Me despedi e fui embora.

Em fevereiro deste ano, a situação deste senhor e do barracão já havia sido denunciada pela revista Expresso Tietê. O jornalista Danilo Dias Gato inclusive entrou em contato com o Departamento de Assistência Social de Igaraçu e explicou a siuação do senhor. Ao que parece, nada foi feito.

Em fevereiro a prefeitura de Igaraçu do Tietê foi notificada sobre a situação dele, mas até agora nada foi resolvido
Em fevereiro a prefeitura de Igaraçu do Tietê foi notificada sobre a situação dele, mas até agora nada foi resolvido

Perto demais

Foto de Peter Gorges
Abelha de Peter Gorges

Segue abaixo uma série fotográfica em macro com vários autores. Macro é uma técnica fotográfica que faz com que a câmera fotografe objetos bem de perto. Geralmente, pensa-se que o macro serve para fotografar objetos pequenos, o que não deixa de ser verdade, mas em modo macro a câmera reconhe uma distância focal menor que o convencional. Quando bem usado, capta detalhes incríveis da cena e dos objetos. Existem lentes específicas para fotos em macro no mercado e há profissionais especializados nessa técnica.

Os fotógrafos expostos aqui são Peter Gorges, Barbara Kaos2, Aubrey Young, Steve Begin, Jeanette Svensson, Eric W., Lua de Papel, TierDrama, FBIV, Lindy, PixelCoast e Dave Hammond.

Foto de Dave Hammond
Libélula de Dave Hammond
Joaninha de Aubrey Young
Joaninha de Aubrey Young
Cigarra de Steve Begin
Cigarra de Steve Begin
Flor de Jeanette Svensson
Flor de Jeanette Svensson
Flores de FBIV
Flores de FBIV
Borboleta de TierDrama
Borboleta de TierDrama
Flor de Lindy
Flor de Lindy
Gota de PixelCoast
Gota de PixelCoast
Café de Eric W.
Café de Eric W.
Lírio de Barbara Kaos2
Lírio de Barbara Kaos2
Libélula de Lua_de_Papel
Libélula de Lua_de_Papel

Onde vivem os monstros

Texto de Lucas Scaliza (lucas.scaliza@gmail.com)

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Foi lançado o trailer de Where The Wild Things Are (que no Brasil ganhou o nome de Onde Vivem os Monstros), novo filme do diretor Spike Jonze. A produção é baseada no belo livro infantil homônimo de Maurice Sendak. Confira abaixo a prévia, uma das mais belas e instigantes do ano até agora.

A história, como o trailer deixa claro, acompanha as aventuras e “ilusões” de Max. Após uma desobediência, Max é mandado para cama sem jantar. Então ele cria seu próprio mundo: uma floresta habitada por monstros que reconhecem o garoto como seu rei.

A história é agridoce. Cenas cômicas e felizes se misturam a outras tristes, trágicas, feitas para nos levar a uma reflexão. O livro foi publicado em 1963 e foi alvo de algumas controvérsias. Seus personagens eram um pouco grotescos, bem diferentes dos da Disney, por exemplo, e mostrava uma aproximação aos pesadelos e fantasias das crianças.

Spike Jonze é diretor de Adaptação e Quero Ser John Malkovich. O filme estreia no Brasil em 16 de outubro.

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O Ronaldo e o Corinthians

Texto de Lucas Scaliza e design de Juliano Ruiz

Em abril deste ano o Brasil vibrava com os jogos do Corinthians. Os torcedores adoraram as novidades do time e os seus desafetos pagaram – e pagariam ainda mais uma vez – para ver do que os Gaviões da Fiel seriam capazes.

Entre as novidades estava a contratação de Ronaldo Luís Nazário de Lima, outrora conhecido como Ronaldinho, depois como Fenômeno, hoje ele é apenas Ronaldo. De dezembro até agora ele estampou a capa de diversas edições de jornais brasileiros, foi notícia no mundo todo e até a Rolling Stone Brasil dedicou a capa de julho a ele (embora eu tenha comprado a versão com capa tributo a Michael Jackson).

Pois foi em abril que produzi um infográfico sobre o craque em parceria com o designer Juliano Ruiz, da Agência Hexa. Escolhi a abordagem, separei dados e pensei em como dispor tudo isso em imagens. O Juliano – competentíssimo profissional – pesquisou imagens, usou todo o seu conhecimento e me devolveu algo muito melhor do que tinha imaginado. O resultado vocês conferem abaixo.

Clique para ver maior
Clique para ver maior

PS 1: Esse infográfico está aqui como ilustração e divulgação e é protegido por leis de direito autoral. A cópia sem autorização constitui crime.

PS 2: Não deixem de se logar no Orkut e conferir uma pitada do portfólio de Juliano Ruiz.