55 anos de rock – parte 2

Texto de Lucas Scaliza

Stones2

O rock e você: O que as pessoas pensam do rock e como ele se apresenta para cada uma delas

Cada pessoa tem uma relação e uma história com o rock. Há quem ame como música e há quem odeie também. Alguns identificam o rock na maneira como as pessoas se vestem, na maneira como pensam, na maneira como demonstram sua rebeldia. São tantas as formas de enxergar esse estilo que podemos dizer que ele é todo ramificado, abrangendo uma série de questões, sejam sociais, comportamentais ou artísticas.

Para Antonio César Maurélio, proprietário de um rock bar, o rock é fundamentalmente música. Ele só foi ouvir rock quando começou a participar de bailes. “Comecei a perceber naquela época que gostava mais de Beatles, The Who e Rolling Stones do que samba, por exemplo. Achava o jeito de dançar mais expressivo. Às vezes o cara não precisava nem fazer passinhos, ficava só batendo o pé no chão e fazendo uma cara de acordo com o que ele achava que a música transmitia”, relembra.

“Não é a música que muda a pessoa, é a pessoa que escolhe a música que se identifica melhor com a sua maneira de ser”, diz Maurélio

Maurélio acredita que o rock é um grande rótulo que abrange muitos estilos diferentes dentro dele, indo da balada até o peso total dos instrumentos. Sendo assim, “ele está dentro de cada pessoa, seja do temperamento que for”, pois “não é a música que muda a pessoa, é a pessoa que escolhe a música que se identifica melhor com a sua maneira de ser”.

Em relação a comportamento a opinião de Maurélio é que várias pessoas que ainda não têm uma personalidade totalmente definida passam a viver ou a se espelhar em seu ídolo, seja ele no rock, no samba ou no esporte. “Isso é normal dentro da sociedade. Tem gente que chega a fazer cirurgias para ficar mais parecidos com seus ídolos. Tem gente por aí que faz questão de deixar o bigode igual ao do Belchior, por exemplo. Outros vestem camisas de flanela para ficarem igual ao Kurt Cobain, do Nirvana. Graças a Deus ainda não fiquei sabendo de nenhum fã que deu um tiro na própria cabeça também”.

Por um caminho bastante contrário, vai o músico e poeta Vanildo Machado. Ele conheceu o rock 15 anos atrás, por meio de amigos músicos que não são famosos, mas faziam rock. Vanildo diz que o rock geralmente é identificado por causa da presença da guitarra na música. Particularmente, ele acha que antes disso já se fazia rock na música clássica e na MPB, mesmo sem as seis cordas distorcidas, mas davam outro nome. Para ele, rock é fundamentalmente atitude.

“O rock pode ser feito pelo índio na tribo”, opina o poeta. “Elis Regina cantando ‘Como Nossos Pais’ é rock, cara. A 9ª Sinfonia de Beethoven é puro rock também. Rock significa rocha, não é? Então, rock é ser duro no que faz e no que diz, é ter firmeza”.

Boa parte da obra musical de Vanildo é levada apenas na voz e no violão, sem guitarra e sem bateria, mas ele acha que não é isso que caracteriza sua música como “não-rock”. Por considerá-lo uma atitude, acha que o rock lhe dá uma liberdade a mais na hora de se expressar.

“O rock pode ser feito pelo índio na tribo. Elis cantando ‘Como Nossos Pais’ é rock, cara. A 9ª Sinfonia de Beethoven é puro rock também”, diz Vanildo

Já Fábio Izeppe, consultor em gestão de qualidade, começou a gostar do ritmo quando tinha 12 anos de idade e ganhou um disco do Legião Urbana. Logo depois, um amigo emprestou o álbum Somewhere in Time, do Iron Maiden. A partir daí, rock virou uma paixão que teve dois grandes momentos: o Rock in Rio 3, de 2001, quando tinha 16 anos; e no ano passado quando viu um show das bandas alemãs Gamma Ray e Helloween. “Depois desse show eu decidi comprar uma guitarra e fazer aulas”, diz.

Embora goste das melodias e da “levada” do rock, Fábio acha difícil definir quais são os elementos do estilo que o conquistaram, mas ressalta que é “uma música que faz eu me sentir bem, tanto na hora do estresse e dos problemas quanto nos bons momentos”. Sem sombra de dúvida, Fábio acredita que rock é um estilo de vida que vai mudando suas facetas conforme os anos passam.

Uma consideração sobre “55 anos de rock – parte 2”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s